mar agitado
ondas quebrando
areia queimando
corpo molhado
prancha em cacos
sal nesses olhos
ainda
vou sobre águas profundas
deslizar!
Quarta-feira, Dezembro 23, 2009
Sexta-feira, Novembro 27, 2009
Antes da tempestade
O que o vento não pode:
...
um sopro de levantar paisagem,
...
um movimento de qualquer imagem,
...
uma viração de céu e nuvem,
...
uma ondulação sobre as águas,
.
uma pequena miragem!
...
um sopro de levantar paisagem,
...
um movimento de qualquer imagem,
...
uma viração de céu e nuvem,
...
uma ondulação sobre as águas,
.
uma pequena miragem!
Quinta-feira, Novembro 12, 2009
sem resposta possível
Eu não sei responder o anonimato
e o tempo quando quase o toco
tenho o sono.
Adormecer ao ato de mover sistemas,
descansar para prover a empresa da vida.
Quase não escrevo,
quase não sonho...
Vou de um lado ao outro
sem me dar conta que deixo
pegadas e rastros
na distância.
Eu tento me manter sereno,
olhar as estrelas de ontem,
mas nas últimas noites nuvens pairavam
e amigos distantes sorriam e choravam...
Sinto o cansaço dos olhares
e olho perdido:
alguém que me seja preciso
diga que meu silêncio ainda me faz vivo
e que busco viver como sempre busquei!
Eu continuo com os mesmos algarismo,
tento signos mesmos de antes
e tento não ter segredos.
Amo muito e meus olhos sabem
que amanhecer tateando o amor
ilumina minh'alma e meu corpo.
Quero envelhecer vendo um sorriso de olhos puxados
dando cores ao caminho.
Destino não tem distância,
verdade não tem trinca.
Sentimento não é latifúndio!
Quando há um breve momento
busco uma resposta
(ao presente, que seja, mais longe do contato)
que não seja ao vácuo
pois que não sei responder ao anonimato!
e o tempo quando quase o toco
tenho o sono.
Adormecer ao ato de mover sistemas,
descansar para prover a empresa da vida.
Quase não escrevo,
quase não sonho...
Vou de um lado ao outro
sem me dar conta que deixo
pegadas e rastros
na distância.
Eu tento me manter sereno,
olhar as estrelas de ontem,
mas nas últimas noites nuvens pairavam
e amigos distantes sorriam e choravam...
Sinto o cansaço dos olhares
e olho perdido:
alguém que me seja preciso
diga que meu silêncio ainda me faz vivo
e que busco viver como sempre busquei!
Eu continuo com os mesmos algarismo,
tento signos mesmos de antes
e tento não ter segredos.
Amo muito e meus olhos sabem
que amanhecer tateando o amor
ilumina minh'alma e meu corpo.
Quero envelhecer vendo um sorriso de olhos puxados
dando cores ao caminho.
Destino não tem distância,
verdade não tem trinca.
Sentimento não é latifúndio!
Quando há um breve momento
busco uma resposta
(ao presente, que seja, mais longe do contato)
que não seja ao vácuo
pois que não sei responder ao anonimato!
Terça-feira, Novembro 10, 2009
...
Era uma tarde de novembro
e havia a sombra de cem anos...
O braço pendeu ao lado do corpo
para longe do corpo, o silêncio repentino
de uma tarde de novembro,
as mãos vazias,
uma esferográfica rolando pelo assoalho,
nenhuma mitologia, nenhum estruturalismo,
e nenhuma diferença: uma fotografia com alguns homens de vários continentes, com feições distintas e com o mesmo olhar e sorriso humano de amizade.
Era uma tarde e era novembro
desde o dia antigo
ao dia último
o mesmo amor pelo homem
e pela vida.
e havia a sombra de cem anos...
O braço pendeu ao lado do corpo
para longe do corpo, o silêncio repentino
de uma tarde de novembro,
as mãos vazias,
uma esferográfica rolando pelo assoalho,
nenhuma mitologia, nenhum estruturalismo,
e nenhuma diferença: uma fotografia com alguns homens de vários continentes, com feições distintas e com o mesmo olhar e sorriso humano de amizade.
Claude Lévi-Strauss
Era uma tarde e era novembro
desde o dia antigo
ao dia último
o mesmo amor pelo homem
e pela vida.
Quarta-feira, Novembro 04, 2009
Agualusa livre
“Em criança tirei um pássaro de dentro de uma pequena gaiola.
O pássaro não voou.”
Não saberia o pássaro que era céu
olhar vôos e sê-los.
Ciculou-se ciclópico,
deu-se voltas e mais voltas
refletindo-se nos espelhos e nas grades.
Não sabia... sobreviver e voar e longe
circulou-se sem rumo, é certo...
Era criança livre depois prêsa,
crescida e prêsa,
guerreira e prêsa,
quase muda – livre.
Entendia: a gaiola era cidade...
sentia-se sufocado e via as pessoas em ruas,
em vias de tempo sujo e asqueroso.
Sentia o peso das correntes e das dobras das fardas...
e no mudo queixo quebrado,
desmundo do imundo passeio das tiranias
mirou os prédios mais negros,
deixou-se escorrente lágrima...
Aquela estação das chuvas àquela praça
expunha-me como o pássaro...
“Aquela cidade já não me pertencia ao meu organismo, era uma prótese.”
O pássaro não voou.”
Não saberia o pássaro que era céu
olhar vôos e sê-los.
Ciculou-se ciclópico,
deu-se voltas e mais voltas
refletindo-se nos espelhos e nas grades.
Não sabia... sobreviver e voar e longe
circulou-se sem rumo, é certo...
Era criança livre depois prêsa,
crescida e prêsa,
guerreira e prêsa,
quase muda – livre.
Entendia: a gaiola era cidade...
sentia-se sufocado e via as pessoas em ruas,
em vias de tempo sujo e asqueroso.
Sentia o peso das correntes e das dobras das fardas...
e no mudo queixo quebrado,
desmundo do imundo passeio das tiranias
mirou os prédios mais negros,
deixou-se escorrente lágrima...
Aquela estação das chuvas àquela praça
expunha-me como o pássaro...
“Aquela cidade já não me pertencia ao meu organismo, era uma prótese.”
Sábado, Outubro 31, 2009
personagem

Eu te menti,
Tu me mentiste.
Nós nos mentimos.
Nós nos metemos
onde não fomos chamados.
Eu – sem querer – te desmenti.
Tu – então – te espantaste.
Ruíam as tuas bases,
perdias a tua geografia.
Ousaste de súbito uma pirueta,
cantaste delírios proféticos.
Entregaste os pontos que nos atavam:
foste se afastando,
afastando,
fastando...
um dia não eras!
Nossos personagens percebiam:
esquecíamos
na verdade
nossa história!
Quinta-feira, Outubro 29, 2009
do ao pelo como
Eu provo do sangue, do vinho,
da água que arde na boca agreste...
Eu rogo ao tempo, ao vento,
aos cinco elementos, ao raio de leste...
Eu juro pelo calendário, pelo sacro rosário,
pelos ritos de maio, pelo lácio da última flor...
Eu vivo como um desafio, como um desatino,
como um sutil artifício do amor...
da água que arde na boca agreste...
Eu rogo ao tempo, ao vento,
aos cinco elementos, ao raio de leste...
Eu juro pelo calendário, pelo sacro rosário,
pelos ritos de maio, pelo lácio da última flor...
Eu vivo como um desafio, como um desatino,
como um sutil artifício do amor...
Sexta-feira, Outubro 16, 2009
Mudança de planos
Eis o código:
quando a noite chegar
faremos sombras,
quando amanhecer
desenharemos sonhos!
quando a noite chegar
faremos sombras,
quando amanhecer
desenharemos sonhos!
Quinta-feira, Outubro 15, 2009
- !

Estou ligado à fonte de tudo
como a você,
como você também está ligada
e como eu acredito:
essa corrente mantenedora
de todo amor, de todo ódio,
de toda iluminação!
Tremo entre mim:
a energia do corpo,
meu abrigo, teima ambígua
em tantas camadas,
em tantos tecidos,
em tantos sentidos
que nunca adormecem
nem tentam destinos.
Estou conectado àlgum ponto
tão infinito quanto um sonho
de tantas gerações e de tanta vida
esquecida
lapidada.
Estou ligado à fonte de coisas,
com olhos de coisas,
com coisas de signos,
uma superfície branca de coisas
(de coisas mais profundas)
que em mim alimentam as correntes
que contínuas se alternam
em busca
(não de uma caligrafia)
talvez de um detalhe
às possibilidades
de tudo que possa
inexplicavelmente iluminar!
Segunda-feira, Outubro 05, 2009
pequena pausa
coisas do tipo me acometem. Sei que
as rochas ganham formas e contornos no choque com o mar.
mas a quem o anúncio de formas pretenciosas é mais chão.
contudo o mar que cerca esse corpo é feito de rochas e vegetos.
a espinha de Minas passa ao meu lado,
o sol se põem mais alto, as formas... quem dirá das formas?
cada nuvem traz a sua forma e é uma questão tão de vento e céu.
tão passageiro que não se pode reduzir a nada
e se reduz em chuva, torna a sede, lava.
coisas do tipo acometem, cometem céus.
sei que, os grãos estão nascituros, férteis revelarão outros formas
e teremos sempre mais contornos.
acometem-me coisas do tipo:
eu também erro, eu também falo coisas desajeitadas,
como todos
eu também aprendo!
as rochas ganham formas e contornos no choque com o mar.
mas a quem o anúncio de formas pretenciosas é mais chão.
contudo o mar que cerca esse corpo é feito de rochas e vegetos.
a espinha de Minas passa ao meu lado,
o sol se põem mais alto, as formas... quem dirá das formas?
cada nuvem traz a sua forma e é uma questão tão de vento e céu.
tão passageiro que não se pode reduzir a nada
e se reduz em chuva, torna a sede, lava.
coisas do tipo acometem, cometem céus.
sei que, os grãos estão nascituros, férteis revelarão outros formas
e teremos sempre mais contornos.
acometem-me coisas do tipo:
eu também erro, eu também falo coisas desajeitadas,
como todos
eu também aprendo!
Sábado, Outubro 03, 2009
a Primavera
Chega de mansinho a primavera,
no caminho para as borboletas,
chega de vermelho tom de rosa
e rosa no frescor do jardim.
Chega assim, com ipês amarelos,
com o lilás das buganvílias,
com os cravos sortidos e as alvas margaridas.
Chega de botão em botão a desabrochar,
com um ar de pólen no ar,
com pássaros diluindo no céu
plumas e cantos de açucena.
Chega num poema atrasado,
de begônias abertas e amores-perfeitos,
com motivos de lírios e dálias.
Chega com rubros de tulipa
e claros de dama em noite de baile,
chega com toques de gardênia,
com luzes de girassol
e com bailes de verônica.
Chega de mansinho, a primavera,
no caminho dos insetos que zunem
na manhã colorida da estação secreta
da vida!
no caminho para as borboletas,
chega de vermelho tom de rosa
e rosa no frescor do jardim.
Chega assim, com ipês amarelos,
com o lilás das buganvílias,
com os cravos sortidos e as alvas margaridas.
Chega de botão em botão a desabrochar,
com um ar de pólen no ar,
com pássaros diluindo no céu
plumas e cantos de açucena.
Chega num poema atrasado,
de begônias abertas e amores-perfeitos,
com motivos de lírios e dálias.
Chega com rubros de tulipa
e claros de dama em noite de baile,
chega com toques de gardênia,
com luzes de girassol
e com bailes de verônica.
Chega de mansinho, a primavera,
no caminho dos insetos que zunem
na manhã colorida da estação secreta
da vida!
Quinta-feira, Outubro 01, 2009
Manifesto palavrar espacial
Há (será?) espaço e palavra!
Haverá espaço para a palavra nascente
como adjunto do corpo e mente?
Pensada a palavra tem vez na tez,
no talvez da lente, no reflexo do flash?
A palavra no quadro falso negro,
no centro negro – palavra escura,
palavra de pensar em volta
palavra de revolta que volta impura.
A palavra fétida eclodindo do bueiro,
a céu aberto a palavra escorre
decorre sobre horas, filos, rios...
A Palavra que há sentida
e refletida tarda o rasgo da amarra.
A Palavra de Huang Che tem pegadas de estrelas
e revira o espaço sideral.
A palavra escrita não se explica, não se aplica...
nem Lacan, nem Bakhtin ou/e outras teorias.
Nem o talvez do sim e enfim o não do nada...
A palavra lavra, é larva descendo
um dia vai queimar o que não for pedra
a pedra tornará a ser o que não fora
e restará o que se pensa ser o mito.
É preciso construir a palavra como um baluarte,
uma represa, um farol, um moinho
Um símbolo despido do símbolo...
será impossível?
A palavra se denuncia na fala, no plano
do plano espacial.
Quer seja escrita, quer seja escrota,
quer seja rota e quer seja nova...
quer seja igual verbo e o verbo seja distinto:
a palavra é o ponto
e o ponto é infinito!
Haverá espaço para a palavra nascente
como adjunto do corpo e mente?
Pensada a palavra tem vez na tez,
no talvez da lente, no reflexo do flash?
A palavra no quadro falso negro,
no centro negro – palavra escura,
palavra de pensar em volta
palavra de revolta que volta impura.
A palavra fétida eclodindo do bueiro,
a céu aberto a palavra escorre
decorre sobre horas, filos, rios...
A Palavra que há sentida
e refletida tarda o rasgo da amarra.
A Palavra de Huang Che tem pegadas de estrelas
e revira o espaço sideral.
A palavra escrita não se explica, não se aplica...
nem Lacan, nem Bakhtin ou/e outras teorias.
Nem o talvez do sim e enfim o não do nada...
A palavra lavra, é larva descendo
um dia vai queimar o que não for pedra
a pedra tornará a ser o que não fora
e restará o que se pensa ser o mito.
É preciso construir a palavra como um baluarte,
uma represa, um farol, um moinho
Um símbolo despido do símbolo...
será impossível?
A palavra se denuncia na fala, no plano
do plano espacial.
Quer seja escrita, quer seja escrota,
quer seja rota e quer seja nova...
quer seja igual verbo e o verbo seja distinto:
a palavra é o ponto
e o ponto é infinito!
Sexta-feira, Setembro 25, 2009
escrituras
escrevo tão mal e ainda teimas em ler
cada linha reta na tortura de pensar
que se não me fosse permitido escrever
eu para o mal alheio viria de pintar.
Só porque talvez eu necessito me expor
sem que alguma vírgula ouse dividir
qualquer ódio que desabe sobre o amor
e mesmo o amor que chegou a não partir.
escrevo pela estrita escrita de remir
o que em mim nunca hei de encontrar
e é como um desejo de chegar a partir
ou como certeza de não falar sem calar.
cada linha reta na tortura de pensar
que se não me fosse permitido escrever
eu para o mal alheio viria de pintar.
Só porque talvez eu necessito me expor
sem que alguma vírgula ouse dividir
qualquer ódio que desabe sobre o amor
e mesmo o amor que chegou a não partir.
escrevo pela estrita escrita de remir
o que em mim nunca hei de encontrar
e é como um desejo de chegar a partir
ou como certeza de não falar sem calar.
Sexta-feira, Setembro 18, 2009
...
Disse o imperador
que a história é uma versão
na qual decidimos acreditar.
Talvez eu devesse não acreditar
no grande imperioso:
ele faz parte da história!
que a história é uma versão
na qual decidimos acreditar.
Talvez eu devesse não acreditar
no grande imperioso:
ele faz parte da história!
Assinar:
Postagens (Atom)
