quinta-feira, outubro 17, 2013

mãos que se calem!

As mãos se movem com a manhã,
faz que mergulha no rio o corpo ainda adormecido
de um outono quente e seco. Escorre gotas,
em vão as nuvens tentam permanecer na noite.
Eu conto as nossas estrelas imaginadas,
faço em conta como os ladrilhos coloridos,
eu conto os insetos no teto do nosso quarto,
como num parto nasço do silêncio do sonho perdido.
Tenho impróprio a delicadeza do desjuízo
olhando ausente o que desperta atrás da porta,
nesta memória um conto pensa que é segredo,
e calado escondo a mão da palmatória.
Teimo que minha situação seja vexatória,
sem ganhos e sem rasgos, com poucos centavos,
as mãos prolongam-se sobre o teclado
e tecem sentimentos fragmentados, pequenos delitos,
homenagens desesperadas e alguns espaços.
Chove! É tarde! Ocaso!
E a noite é um hiato!


2 comentários:

sblogonoff café disse...

estou pensando a delicadeza do desjuízo... Eu sempre o imaginei sem modos, desarvorado, arrogante e impulsivo. Mas agora penso e percebo: Já o senti delicado enquanto ele era meu. E já escondi a mão da palmatória, porque o que se ganha quando perde-se o juízo, não raro, dói.Sabe-se a consequência...
Mas o corpo ao lado vale a pena, nossos ais...

Ricardo Aquino disse...

Tudo vale a pena se a alma não é pequena! Esse poema estava no processo Manoel de Barros. Acho os textos dele muito parecido com a sua ótica de ver o mundo!
O melhor é o
hiato!